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COMPARTILHANDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: A EDUCAÇÃO FÍSICA E UMA EXPERIÊNCIA COM BEBÊS.

Apresentamos no presente texto um relato de uma proposta de trabalho, desenvolvida com um grupo de bebês (Grupo I), em uma Creche da Rede Municipal de Florianópolis no Norte da Ilha no ano de 2008. Vale destacar que a pretensão nesse relato de
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  COMPARTILHANDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: AEDUCAÇÃO FÍSICA E UMA EXPERIÊNCIA COM BEBÊS.Carmen Lúcia Nunes Vieira 1 carmenpila@yahoo.com.brMauricia Santos de Holanda Bezerra 2 mauriciast@yahoo.com.brQuando tratamos de educação de 0 a 6 anos muitos autores discutem o que poderiase constituir numa Pedagogia da Infância 3 . O interesse pela saúde e pela qualidade de vidada infância, ao ladodo levantamento de problemascomo a miséria, a exploração dotrabalho infantil, a violência, entre outros aspectos, levou pesquisadores à busca pelaconsolidação de uma Sociologia da Infância (SARMENTO, 2004; SIROTA, 2001). Nodiálogo com a Sociologia da Infância, estudiosos da área da Educação têm se ocupado detrabalhos sobre os ambientes educativos destinados às crianças que, segundo Cerisara eSarmento (2004), são também construídos  pelos pequenos. Esse “intercruzamento deolhares” direciona -se à constituição de uma Pedagogia da Infância cujo objeto depreocupação éa própria criança: seus processos de constituição, suas culturas, suascapacidades intelectuais, criativas, estéticas e emocionais (ROCHA, 1999). E que entreoutras coisas considera a criança como sujeito de direitos . Considera a criança como “ outro diferente do adulto e cujas manifestações espontâneas devem ser preservadas, especialmente no que se refere ao brincar enquanto expressão característica de seu mundo” (RICHTER, 2005, p.13).Na conjuntura dessa pedagogia, entende-se, que a educação infantil deveestarorientada por uma proposta pedagógica aberta, que busca romper com modelosescolarizante que se destina a situação escolar . Nesta perspectiva uma Pedagogia da Infância diz que 1 Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Membro do Núcleo de Estudos ePesquisas Educação e Sociedade Contemporânea. Professora de Educação Física da Rede Municipal deEnsino de Florianópolis. 2 Mestranda em Educação no Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina.Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Educação da Pequena Infância. Professora de EducaçãoInfantil da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis. 3 Sobre mais da Pedagogia da Infância ver em CERISARIA et al, 2002.  Uma pedagogia comprometida com a infância necessita definir as basesparaum projeto educacional-  pedagógico para além da “aplicação” demodelos e métodos para desenvolver um “programa”. Exige, antes, conhecer as crianças, os determinantes que constituem sua existência eseu complexo acervo lingüístico, intelectual, expressivo,emocional, etc.,enfim, as bases culturais que as constituem com tal. Exige dar atenção àsduas dimensões que constituem sua experiência social, o entorno social eas experiências das crianças como agentes e como receptores de outrasinstâncias sociais, definidas, portanto, no contexto das relações com osoutros. (ROCHA, 2010, p.14). No contexto da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis (RMEF), quecompartilha de tal proposição, a implicação é na direção de numa proposta de trabalho quese coloque nacontramão do modelo escolarizante, pautadas na fragmentação dasdisciplinas escolares, já que afirma que a Educação Infantil não é escola. Mas essedistanciamento nos coloca numa situação paradoxal já que contamos, desde 1982, comprofissionais da área/disciplina da Educação Física, professores horistas que atendem ascrianças desde o berçário até os grupos maiores nas unidades. Com a instauração de tal Pedagogia e para atender as suas demandas os professores de Educação Física começam afreqüentar programas de formação proporcionados pela RMEF.E conforme Viera e Medeiros (2007) O debate acerca da especificidade da Educação Física na EducaçãoInfantil se ampliou ao longo das últimas décadas e os estudos dos temasdesses debates foram sistematizados em documentos elaborados pelaprópria RMEF. Tais documentos são cadernos com coletâneas de textoselaborados por consultores, que a partir da formação continuada, oferecidaaos professores/as pela própria RMEF, sistematizam um texto sobre otema debatido nosencontros das formações. Vale destacar também, nessalinha de sistematização, a pesquisa de mestrado desenvolvida pelaprofessora Débora Sayão, que mesmo não constituindo um documentoelaborado pela RMEF é de suma importância, pois se trata de umainvestigação que buscou compreender a natureza da inserção da EducaçãoFísica na Educação Infantil no contexto da RMEF. (p.56-57). Cabe ressaltar que tais pressupostos, sistematizados nesses documentos, refere-se auma Educação Física que caminhe na contramão do modelo escolarizante, de disciplinaescolar, que desconsidera interesses e necessidades das crianças, que determina tempo eduração de aulas e fragmenta os conteúdos. Reforça, ainda, que precisa se distanciar domodelo tradicional de Educação Física pautado nas habilidades motoras, desenvolvimento  motor, na recreação e na Psicomotricidade, que ainda marcam a Educação Física naEducação Infantil. Por isso avigora a necessidade de uma discussão acerca da infância.Nesse sentido vale destacar a contribuiçãodo Grupo Independente de Professoresde EducaçãoFísica que atuam na Educação Infantil da RME  4  –  grupo de professores/s quedesde 1996, tem dentre suas preocupações encaminhamentos capazes de indicarpossibilidade de uma prática articulada com as discussõesda Pedagogia de Infância . Masque, sobretudo, preocupa-se com sua formação continuada e pensa questões específicas eentraves de sua própria formação para atuar com as crianças da chamada Educação Infantil.Considerando todo esse contexto apresentamos no presente texto um relato de umaproposta de trabalho, desenvolvida, com um grupo de bebês (Grupo I), em uma Creche daRede Municipal de Florianópolis no Norte da Ilha no ano de 2008. Vale destacar que apretensão nesse relato de experiência é justamenteenfatizar a parceria entre professoraregente do grupo e professora de Educação Física, não só como justificativa e possibilidadeda presença da própria especificidade da área no âmbito da Educação Infantil, mas tambémna contribuição na educação de crianças tão pequenas.Tomamos como princípio os documentos já aqui referenciados e que tratam daEducação Física na Educação Infantil, principalmente, no que dizem respeito sobre umtrabalho comprometido com a totalidade do trabalho pedagógico no âmbito das unidades enão como uma disciplina escolar. Débora Sayão diz a respeito A ideia desenvolvida anteriormente  —  Educação Física como disciplinaescolar  –  limita a concepção de trabalho pedagógico pensado como umatotalidade na qual adultos, crianças, famíliase o contexto sócio-culturalsão aspectos fundamentais. A superação do distanciamento entre asáreas/disciplinas que convivem no interior de uma unidade de EducaçãoInfantil passa pela consciência de seus profissionais de que ocorporativismo das formaçõese/ou funções é um impedimento do trabalhode qualidade. Quando pensamos em qualidade estamos vislumbrando acomplementaridade entre as esferas que constituem o cotidiano dascreches e NEI's. Portanto, não deve haver hierarquias entre profissionais,crianças e famílias nos diferentes momentos do planejamento e/ou daimplementação das ações. A participação das professoras regentes eauxiliares é indispensável naqueles momentos em que o/a professor/ade Educação Física está coordenando uma atividade, assimcomo o 4 Maiores informações do grupo ver em:http://efinfantil.blogspot.com/2009/09/possiveis-conteudos-dos-encontros-de.html.  inverso disto. Isto possibilita aos/às profissionais conhecerem melhor ascrianças e construírem vínculos entre os adultos que qualificam o trabalhopedagógico. (Sayão, 2004, p. 29-33, grifos nosso). A creche, que foi nosso campo de atuação, possui 10 salas de atendimento,acolhendo crianças na faixa etária de 4 meses a 6 anos, divididos em grupo, de acordo comsua idade. O horário de atendimento era das 7 horas às 19 horas, no início do ano letivo,observamos que as famílias não deixavam os bebêspor muito tempo, podemos deduzir queisso ocorreu por dois motivos: primeiro porque os pais precisavam estabelecer uma relaçãode confiança; segundo porque até as 17 horas havia duas profissionais na sala, oferecendoàs famílias um pouco mais de segurança. É importante destacar que havia apenas um grupode bebês, diferentemente dos grupos das crianças maiores.E neste contexto está inserido o Grupo I que passamos a situar. O grupo I eracomposto por 15 bebês de 4 meses a 1 ano e 11 meses. Portanto, nossocotidiano estavainserido num sistema maior, em que os horários marcados para algumas situações de cuidado eram fortemente “imposto”, tendo os “tempos” como nosso maior desafio, romper com o “tempo institucionalizado”. Atuávamos com crianças–  bebês-queexpressavam 5 osseus desejos, anseios, vontades e necessidades, as quais eram particulares de cada um.Nossa rotina eram marcada pela hora do café, por volta das 8:15; hora do almoço, por voltadas 10:40; hora do lanche, logo no início da tarde, 13:00; epor fim a janta, 15:40; além desses horários marcados pelo “sistema” tínhamos a preocupação em oferecer mais um lanche por volta das 18:00, para àqueles que ficavam na creche.A rotina na educação infantil pode ser facilitadora no nosso dia-dia,como apontaWarschauer, apud Batista (1998, p.08), ...uma rotina de trabalho é importante para a estruturação de um grupo decrianças (e também de adultos). Rotina de trabalho significa organização,sistematização e disciplina. É através da rotina que o tempo e oespaço seestruturam para a criança (a hora da roda, a hora do lanche, a arrumação dasmesas e dos materiais, etc.). A rotina orienta a criança a se organizar dentro deum espaço e de um tempo determinado (...), porém a rotina deve ser flexível, demodo aorganizar os espaços e os tempos conforme as novas necessidades quesurjam, caso contrário ela torna-se mecânica e sem sentido (1993, p.66) 5 Como aponta Schmit, 2008, p. 15. Para além da linguagem falada, as crianças pequeninas apresentam maisfortemente outrasformas de comunicação  –  olhares, gestos, toques, balbucios, choros, gargalhadas, sorrisos,movimentos  –  tão complexas quanto a fala .  Diante desses horários, nosso cotidiano também era marcado pelas trocas, oschoros, os sonos, as mordidas, os banhos, os passeios, as brincadeiras, as descobertas, assuperações, os sorrisos, enfim os diversos episódios que se faziam presente em nosso grupode bebês.Um dos nós que ainda percebemos na educação infantil é o sono das crianças nainstituição, e por issonos perguntamos: como respeitar a necessidade de cada bebê? Nossa organização do espaço foi fulcral para garantir e respeitar os “nossos” bebês. Além de três berços, deixávamos sempre disposto dois colchões e almofadas no chão, disponibilizandoassim um espaço confortável para quando os desejassem.Posto assim, uma breve caracterização do grupo e nossa rotina, iremos abordarparticularmente o grupo de bebês, onde ainda carece de pesquisas, e que por esse motivonos fez buscar ainda mais elementos que pudessem contribuir com a nossa práticapedagógica, que abarcasse todas as discussões travadas pela área da Educação Infantil e da firmação de uma Pedagogia da Infância, compreendendo os “nossos” bebês como sujeitos sociais e de direitos, com desejos próprios,que precisavam ser ouvidos por nós.Como defende Rocha (2010, p. 13-14), tomamos como princípio para nossa práticapedagógica, A consolidação de uma Pedagogia da Infância (e não uma Pedagogia da Criança,tal como nas pedagogias liberais) exige, portanto,tomar como objeto depreocupação os processos de constituição do conhecimento pelas crianças, comoseres concretos e reais, pertencentes a diferentes contextos sociais e culturais,também constitutivos de suas infâncias. Desse modo, nossa primeira ação,ainda no processo de inserção 6 , foi de conhecercada bebê que pertencia ao grupo, para isso buscamos durante o período de inserção,organizar o atendimento com 7 bebês pela manhã, e 8 bebês a tarde, dessa forma, nossaaproximação com cada um deles e seusfamiliares se deu de forma mais intensa, em quepudemos conversar, perguntar e conhecer as diferentes formas de organização familiar alipresentes. Nesse momento buscamos confortar as famílias, pois estavam deixando pela 6 De acordo com o Documento Orientador para o Período de Inserção das Crianças na educação Infantil daPMF:  A inserção é um período rico de encontros e exige dos profissionais constante atenção, a fim de poderem encorajar e facilitar essa nova e importante experiência vivida pelas crianças e seus familiares. Nesse processo, cada criança manifesta seus sentimentos de maneira própria, o que exige a elaboração deum planejamento que privilegie o direito à atenção individual. (p.02)
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